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Consciência Negra: BRT faz evento e distribui cartilha que ensina como agir em casos de racismo

Neste mês da Consciência Negra, o BRT reforçou sua posição contra o racismo. Na última sexta-feira, dia 22, aconteceu o evento “Racismo é crime! Saiba como se defender” no Terminal Alvorada. O debate contou com a participação da advogada Valéria Santos e da delegada Giselle Espírito Santo com mediação da jornalista Lídia Azevedo. O público recebeu orientações sobre como agir neste tipo de situação e ainda curtiu a poesia engajada do Slam Ataque Poético.

O racismo ainda está presente em nossa sociedade. Para mudar esta realidade, é preciso saber como reconhecer atos de racismo, injúria racial e como se defender nestes casos para que o agressor receba a punição. “Infelizmente, racismo e injúria racial são crimes que são cometidos todos os dias, o ano inteiro. Por isso, nós fizemos um evento para pensar juntos em como fazer estratégias para que estes crimes sejam punidos e reconhecidos, e também ter forças para não se deixar abater”, destacou Lídia Azevedo que é jornalista, Coordenadora do Grupo de Estudo sobre Relações Raciais no Brasil da Escola de Comunicação da Universidade Federal do Rio de Janeiro e Mestranda em Comunicação e Cultura na mesma instituição.

O Consórcio BRT distribuiu cartilhas para os passageiros e colaboradores com informações sobre a definição de racismo, injúria racial e telefones úteis para que as vítimas procurem auxílio. Foi lembrado no evento que configura-se o crime de racismo quando o ofendido for impedido de exercer um direito seu, tiver qualquer direito violado, ou for tratado de forma diferente por conta de sua raça/etnia. A injúria racial ocorre quando a pessoa é ofendida na sua honra e na sua moral por meio de xingamentos, textos ou gestos que contenham elementos de origem étnico-racial.

A delegada Giselle Espírito Santo trabalha na Delegacia de Atendimento à Mulher em Pedra de Guaratiba e contou ao público como ela percebe o racismo no seu cotidiano. “Nós ouvimos de muitas pessoas ao nosso redor que o racismo não existe, que é questão de mimimi. Todos nós, principalmente negros, sabemos que ele é uma realidade. Quando as pessoas entram no meu gabinete, a porta está fechada, é possível ver o espanto quando ela é aberta. Muitos me perguntam se eu sou a delegada. Isso acontece porque as pessoas não imaginam que uma mulher negra é a representação de uma autoridade policial, que é a delegada que está falando”, comentou.

História da advogada Valéria Santos, algemada em uma sala de audiência em Duque de Caxias, chama a atenção do público

O ano era 2018 quando a advogada Valéria Santos defendia uma cliente em uma audiência no município de Duque de Caxias. Ao protestar por não conseguir exercer a sua função, Valéria foi algemada e arrastada pelo chão pela polícia. Entretanto, este não foi um episódio de racismo isolado na vida da advogada. Ela passou por outras situações assim ao longo da vida, mas só percebeu isso ao adquirir conhecimento e ler autoras que são expoentes quando o assunto é racismo como Djamila Ribeiro e Chimamanda Ngozi.

Valéria Santos enfatiza que a educação é a solução e abordou a importância de ações afirmativas como as cotas. “Nós temos um desnível na sociedade. Infelizmente, o povo negro está na base da pirâmide e quem está no poder é predominantemente branco. Isso não é mimimi, isso é estatística, há números. Não sou eu quem estou falando, é o IBGE. Há um estudo sobre isso. Quanto mais esclarecida eu estiver, mais subsídios e instrumentos eu vou ter para poder questionar”.

Moradora de Santa Cruz, a jovem Morganna Gumes passava pelo Terminal Alvorada quando viu Valéria Santos e logo parou para ouvir a advogada. “Acompanhei o caso da Valéria pelas redes sociais e jornais. Lembro de ficar estarrecida e muito triste. Pois, eu percebi o quanto ainda somos atrasados, me senti jogada de volta à época da escravidão. Foi extremamente chocante ver uma pessoa formada, naquela posição, quando muitas pessoas acreditam que através dos estudos vão conseguir uma certa segurança com ascensão social. Encontrar ela ali em um ambiente tão acessível a todos foi maravilhoso. Muitas vezes esses debates eram feitos em lugares muito elitistas e que a população comum não costuma frequentar. Em um local como o Alvorada é sensacional porque deixa tudo muito plural”, elogiou a estudante de Letras.

A arte também foi contemplada no evento. Os passageiros e colaboradores assistiram à uma apresentação do Slam Ataque Poético com participação de Dudu Neves e Chal Enigma. As rimas do grupo e a sua poesia engajada mostraram um pouco sobre a realidade enfrentada pelo negro nas comunidades cariocas. Os artistas são moradores do Complexo da Penha e da Cidade de Deus.

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